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23/06/2008
Centenário da Imigração Japonesa
Valéria Simão
"OS PRIMEIROS"
"No dia 18/06/1908, chega ao Brasil, no Porto de Santos, o navio Kasato Maru trazendo as primeiras 165 famílias japonesas que vislumbraram o sonho de uma vida melhor".
OS CEM ANOS
No dia 18/06/2008 completamos os 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil. E é com grande alegria que comemoramos esse centenário.
Desde seu desembarque, os imigrantes nipônicos integraram-se perfeitamente à sociedade brasileira, para cujo progresso e bem-estar têm prestado valiosa contribuição.
Um pouco sobre a cultura japonesa....
BRINCADEIRA JAPONESA - JAN-KEN-PON
Janken (pedra, tesoura e papel) é uma brincadeira tradicional japonesa usada para decidir a ordem dos jogadores ou ganhadores.
Gu significa "pedra", choki "tesoura" e pa "papel".
A pedra quebra a tesoura, a tesoura corta o papel e o papel embrulha a pedra
ORIGAMI E KIRIGAMI
Em japonês, gami significa papel, kiri e ori significam cortar e dobrar, respectivamente.
Essas duas tradicionais artes orientais produzem as mais variadas figuras, como flores, animais, imagens geométricas e decorativas em geral, a partir de cortes e dobraduras minuciosos em simples folhas de papel.
São usadas no Japão há séculos para enfeitar altares dos templos.
Rica em detalhes, a arte do origami e kirigami, amplamente difundida em todo o mundo, requer paciência, precisão e concentração.
Sua prática tem sido recomendada também para fins terapêuticos.
CERIMÔNIA DO CHÁ
A Cerimônia do Chá ou Chanoyu, também conhecido como Chado (Caminho do Chá), é um passatempo estético no Japão, que é a arte de servir e beber o "matcha", um chá verde pulverizado. Existe todo um ritual e respeito para com a cerimônia.
É uma das principais artes tradicionais do Japão, pode-se dizer que representa a síntese da cultura e do espírito japonês.
O chá foi introduzido no Japão através da China, por volta do século VIII. O "matcha", que é utilizado na Cerimônia do Chá, foi trazida da China no século XII. O chá era muito precioso e, além de bebida, era considerado remédio.
A popularidade do chá é universal, porém, em nenhuma outra parte do mundo sua contribuição ao meio cultural foi tão notável, quanto no Japão, onde seu preparo e apreciação adquiriram sentido estético e evoluíram como uma forma distinta de arte.
No Japão, as pessoas, ao serem convidadas para uma reunião de chá, costumam comparecer com antecedência : aguardam sentadas em uma pequena sala, desfrutando da companhia uma das outras e desligando-se das atribulações do cotidiano.
O anfitrião terá cuidado da preparação da sala, talvez pendurando um "kakemono" (pintura ou caligrafia sobre papel ou seda, montada sobre um rolo de papel geralmente emoldurado com brocado), acendendo o fogo para ferver a água para o chá e terá também preparado uma pequena refeição caprichosamente escolhida, tudo com o objetivo de tornar a reunião o mais agradável possível.
Esse encontro representa a manifestação clara de uma sensibilidade interior que se adquire através do estudo e da disciplina do Chado, o Caminho do Chá. Chado é um termo relativamente recente, com o qual se designa o ritual de preparar e tomar o chá, originado no século XV.
O chá verde em pó servido no ritual foi inicialmente introduzido no Japão por monges Zen, quando de seu regresso da viagem de estudos na China, durante o século XII. Nessa época, o chá era utilizado como um suave estimulante, que favorecia ao estudo e à meditação, tendo sido valorizado também como uma erva medicinal.
A partir dessa origem modesta, mestres de chá, devotos do Chado, desenvolveram uma estética, que se inseriu na cultura japonesa. Houve, entretanto, um mestre de chá que, durante toda a sua existência, concebeu essa filosofia como um estilo de vida e instituiu o Chado como um meio de transformar a própria vida em uma obra de arte. Esse mestre foi Sen Rikyu (1522-1591).
Proeminente figura nas artes e também na política de seu tempo, os ideais estéticos de Sen Rikyu estão no âmago das artes e artesanatos do Japão e constituem a base do requinte e da elegância japoneses.
O QUIMONO
O quimono, vestimenta tradicional japonesa, usada por mulheres e homens, é um vestido de mangas
largas, enrolado no corpo e amarrado com um cinturão colorido chamado de obi. O obi, ricamente
bordado, algumas vezes chegando a ter até três metros de comprimento, é amarrado de formas diversas,
em uma demonstração do status da pessoa que o está usando.
A mulher da foto usa seu obi amarrado na frente, o estilo usado por mulheres casadas na virada do século. Atualmente, a maior parte dos
japoneses usam roupas no estilo ocidental e o quimono destina-se somente para ocasiões festivas.
Butterfly teria escolhido um quimono e um obi brilhantemente decorados para seu casamento.
HÁBITOS ALIMENTARES: UMA GRANDE DIFERENÇA
Esta convivência harmônica e respeitosa teve um duro começo, quando nem tudo foi fácil para os imigrantes recém-chegados.
Desde o dia em que Kasato_maru atracou em Santos, os japoneses que para aqui vieram passaram a sentir as diferenças culturais que separam os dois países. Além disso, as condições que viriam a encontrar nas fazendas de café do interior de São Paulo, para onde chegavam com sonhos de melhorar seu padrão de vida, em nada pareciam com o que lhes era prometido.
Entre as grandes dificuldades, estava a adaptação ao novo regime alimentar. Não era difícil encontrar o arroz, cereal básico de sua dieta. Mas os peixes eram raros, da mesma forma que legumes e verduras não eram comuns na dieta local. Ademais, os pratos brasileiros, sempre com muita gordura, mais os temperos estranhos, eram insuportavelmente pesados para os hábitos japoneses. Nas fazendas, os trabalhadores recebiam uma provisão de alimentos cuja maior parte desconheciam. O arroz, de tipo diferente do japonês, era difícil de ser preparado no ponto e sabores desejados; as farinhas, de mandioca ou milho, eram um mistério; o feijão era conhecido, mas para preparar como doce; o charque não apetecia, pois parecia cheirar mal; o bacalhau seco, desconhecido, era inicialmente consumido sem antes ser demolhado - e, naturalmente, ficava salgado.
O café eles nãp sabiam preparar e só lhes aumentava a saudade do chá, inexistente nas fazendas; a banha, o toucinho, o óleo vegetal pareciam-lhes agressivos... Já aos brasileiros parecia estranho que os japoneses insistissem em comer cruas as verduras que conseguiam encontrar ou cultivar.
Os imigrantes que foram se liberando do trabalho assalariado nas fazendas passaram, muitos deles, a dedicar-se à atividade autônoma na lavoura. Esta atividade permitiu-lhes o acesso a produtos mais falimiares, além de enrriquecer a variedade, a quantidade e a qualidade dos produtos hortifrutigranjeiros que abastecem hoje a mesa da família brasileira em todo o país.
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